Evolução Endêmica das Drogas – Parte 01

As drogas são substâncias naturais ou sintéticas que, quando absorvidas pelo organismo, penetram na corrente sanguínea provocando as mais diversas reações, como perda de equilíbrio, de concentração, do uso pleno da razão, além de levar o usuário a ter alucinações e problemas de saúde, como enfisema pulmonar, cirrose, câncer no fígado. O compartilhamento de seringas (nos casos de drogas injetáveis) também pode ocasionar distúrbios como hepatite e HIV.
No século XVI, as plantas da “Cannabis”, a conhecida maconha, foram trazidas pelos escravos africanos para os países da América do Sul, incluindo o Brasil.
Ao contrário do que diz o senso comum, o uso de drogas não teve início por meio das camadas economicamente marginalizadas da sociedade, pelo menos não no Brasil. Até os primeiros anos do século XX, o uso de substâncias como ópio e cocaína era frequente entre jovens de classe alta, em ambientes como os prostíbulos, sob vistas grossas do Estado e da população de modo geral. Foi só em 1921 que foi promulgada a primeira lei restringindo o uso do ópio, morfina, cocaína e outros tóxicos. A maconha só teve o uso proibido em 1930, e em 1933 ocorreram as primeiras detenções por conta dela.
Mesmo com a legislação progredindo a este respeito, o tráfico de drogas também se intensificou na sociedade ao longo dos anos. No começo dos anos 80, o Brasil entrou para a rota do narcotráfico, escoando drogas para os Estados Unidos e países europeus. Hoje, esta é uma preocupação cada vez maior do Governo Federal e também dos estados, que desenvolvem políticas públicas para conter o comércio destas substâncias tóxicas, principalmente nas regiões de fronteiras.
Nos anos 90, outro acontecimento: o crack se estabeleceu em São Paulo expandindo-se por todo o estado e, posteriormente, por todo o país. O crack é uma versão da cocaína solidificada e que pode ser fumada. Ele é uma das drogas que vicia o usuário mais rapidamente. Dentre seus principais efeitos, estão: euforia, taquicardia, insônia e paranoia.
Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, 35% dos usuários de drogas ilícitas das capitais são usuários de crack, que é, por sua vez, a droga que prevalece, fazendo parte da vida de 370 mil brasileiros, segundo pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça.
Além de analisar o problema das drogas sob esta perspectiva “macro”, do grande comércio internacional, também é necessário (e talvez primeiramente) entender as vidas que são destruídas dentro do país, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos, onde jovens (e até mesmo crianças), sucumbem à ação dos traficantes e aos efeitos das próprias substâncias. Pesquisas apontam que indivíduos que costumam entrar no mundo das drogas vêm de famílias desestruturadas, não têm qualificação profissional (e consequentemente sem perspectivas de futuro), não têm acesso à educação e estão inseridos em círculos sociais já comprometidos por esta prática.
Conforme estudo da Universidade Federal de São Paulo, em 2012 o Brasil foi o segundo país no uso de cocaína e derivados. Para agravar ainda mais o quadro que já é preocupante, nos últimos 20 anos as drogas se tornaram mais baratas, estando ainda mais facilmente disponíveis para a população.

Pr. Carlos Roberto Pereira da Silva
Presidente
Desafio Jovem de Rio Claro